22 de jun. de 2010

Ei, eu estou revoltada! Sim, estou. Não vou negar que a metade da felicidade que eu construí, essa madrugada, foi embora com toda discussão no msn, mas ainda tenho a outra metade que me sustentará até, quem sabe, o final da semana. É. Eu ia postar alguma coisa feliz hoje, mas não tenho clima agora, não mais, odeio quando tudo some da minha cabeça e as coisas passam a ser só coisas, digamos, inúteis. Fico puta, er. Tá, depois eu escrevo, quando tiver mais calma e a fome não me consumir.

12 de jun. de 2010

Eu amo a loucura, a loucura me persegue, adoro fazer tudo que faço e fazer é inevitável, tudo que eu sou foi o que consegui ser, conquistei, não me peça pra ser diferente, porque quem então eu seria? Meus vícios me completam, eu sou meus vícios e até seja a loucura em sí, se assim me permitir. Eu sou uma porra louca xD












'A gente tem andado em sintonia tão distinta.
Eu quase não te ouço, você não me adivinha.
A gente fala tanto e, no entanto, se complica.
Eu gosto do Arnaldo, você só ouve a Rita.
A gente, não demora, passa a ser melhor que antes.
Eu mudo e você fala, nós dois somos mutantes.
Ando chorando pelos poros pra não dar na cara, pisando em ovos numa corda bamba.
Vou dedicar mais tempo a mim,
assim você será um tanto mais feliz.


Nem tudo está errado;
é só uma maneira bruta de ficar calado.'

11 de jun. de 2010

Somos portas.




 Poderia falar que as pessoas são chaves, são chaves diferentes tentando abrir uma unica porta, a do amor. Mas  o que elas não sabem, foi o que eu percebi, pegando um ônibus indo para o centro da cidade, olhei para a cordinha que dá sinal para descerem, havia uma chave pendurada em cima do cobrador, fiquei me perguntando o que aquela chave abriria, não sei o por que me perguntava tanto sobre aquela chave que nem chamava tanta atenção, mas a minha sim, nunca fui detalhista. De repente veio a incrível idéia de um sujeito assujeitado, a minha idéia. Nós não somos chaves, somos as portas. Talvez as pessoas que já tentaram nos abrir conseguiram abrir a porta da frente, chegaram na sala, mas nunca conseguiram abrir seu quarto, sua cozinha, seu banheiro, sua varanda, nós somos portas e portas raras, cada uma usada de forma pessoal, às vezes desgastada, às vezes trocada, algumas até nem usadas estão, só trancadas. Somos portas, inúteis, feitas de madeira, de ferro, de qualquer uma proteção que nos serve. Somos humanos. Somos seres humanos. Não falo do amor com toda certeza, não porque nunca tenha amado, já amei, sim; mas, falo do amor de uma forma grata, agradeço a cada segundo de amor, 'sem amor eu nada seria'.




'A gente não percebe o amor
Que se perde aos poucos sem virar carinho.
Guardar lá dentro amor não impede,
Que ele empedre mesmo crendo-se infinito.
Tornar o amor real é expulsá-lo de você,
Prá que ele possa ser de alguém
Somos se pudermos ser ainda
Fomos donos do que hoje não há mais.
Houve o que houve é o que escondem em vão,
Os pensamentos que preferem calar,
Se não, irá nos ferir um não -
Mas quem não quer dizer tchau.'

8 de jun. de 2010

Eu respiro tentando
Encher os pulmões de vida
Mas ainda é dificil
Deixar qualquer luz entrar...
Ainda sinto por dentro
Toda dôr dessa ferida
Mas o pior é pensar
Que isso um dia
Vai cicatrizar...
Eu queria manter
Cada corte em carne viva
A minha dôr
Em eterna exposição
E sair nos jornais
E na televisão
Só prá te enlouquecer
Até você me pedir perdão...
Eu já ouvi 50 receitas
Prá te esquecer
Que só me lembram
Que nada vai resolver
Porque tudo
Tudo me traz você
E eu já não tenho
Prá onde correr...
O que me dá raiva
Não é que você fez de errado
Nem seus muitos defeitos
Nem você ter me deixado
Nem seu jeito fútil
De falar da vida alheia
Nem o que eu não vivi
Aprisionado em sua têia...
O que me dá raiva
São as flôres
E os dias de sol
São os seus beijos
E o que eu tinha
Sonhado prá nós...
São seus olhos e mãos
E seu abraço protetor
É o que vai me faltar
O que fazer do meu amor?
Eu já ouvi 50 receitas
Prá te esquecer.






SÓ PORQUE EU GOSTO.

7 de jun. de 2010

Foi só um sorriso e foi por amor
Nenhuma ironia, não foi por mal
Foi quase uma senha pra te tocar
Nem foi um sorriso, foi um sinal
Por trás das palavras, da raiva de tudo
Sorri pra tentar chegar em você
Foi como fugir pra nos proteger
Enquanto eu sorrir ainda posso esquecer
Porque...
Quem vai te abraçar?
Me fala quem vai te socorrer
Quando chover e acabar a luz
Pra quem você vai correr?
E quem vai me levar
Entre as estrelas, quem vai fazer
Toda manhã me cobrir de luz?
Quem, além de você?
Ninguém tem razão, tenta me entender
E a gente é maior que qualquer razão

Foi só um sorriso e foi por amor
Te juro do fundo do coração
Foi como tentar parar esse trem
Com flores no trilho e acenar pra você
Parece absurdo, eu sei, mas tentei
Enquanto eu sorrir ainda posso esquecer
Quem vai te abraçar?
Me fala quem vai te socorrer
Quando chover e acabar a luz
Pra quem você vai correr?
E quem vai me levar
Entre as estrelas, quem vai fazer
Toda manhã me cobrir de luz?
Quem, além de você?
Deixa isso passar, e quando passar
Vou estar aqui te esperando
Pra te receber
E sorrir feliz dessa vez
Que esse amor é tanto.

6 de jun. de 2010

O incrível é essa sensação de nostalgia quando você a sente chegando e ela se exala em você, fica impregnada, ela se torna você e torna você um ... nada. Está bem, vamos combinar que nem tudo nessa vida te leva a nostalgia, mas seja honesto uma vez na vida, você nunca quis voltar atrás? Tipo, se orgulha de tudo, TUDO mesmo? Claro que não. Deixa o orgulho de lado, veja que nem tudo que te cerca é movido pela sua certeza e vontade própria, afinal, tudo acaba até essa sua forma modesta de querer mudar o mundo, não contentado em mudar o SEU mundo, mas quer o mundo todo, talvez, mudado. 






Não é digno.

4 de jun. de 2010

Honestamente, sou um pouco infeliz.

 Eu não suporto mais, não sei quem disse a ela que eu não suporto a minha familia, mas não importa o quanto eu diga que eu gosto, ela não acreditaria, poupei meus esforços. Talvez, com a raiva, no passado eu tenha dito isso sim, com a maior convicção do mundo, mas hoje em dia, não tenho mais certeza, talvez eu tenha me referido a familia paterna e ela não sacou muito bem a minha idéia, sei lá, complicado demais. Mas eles não tem direito nenhum de falar que eu reclamei da unica e pitoresca familia que eu tenho, porque eles já me maltrataram demais. Acham que fazem muito por mim e fazem, outros não fariam nem metade, mas eu preciso de mais, não de coisas materiais, eu preciso ser amada e hoje eu não sinto nem um amor, vindo deles, só do mundo, por isso eu amo os meus amigos, talvez eles sim sejam a minha familia, talvez. Eu sinto que preciso tratá-los bem, mas a minha familia, bem, já é outra história. 
 Uma vez, numa discussão, minha Avó me disse que eu era um estorvo na vida dela, que nem meu pai iria me querer, que eu praticamente fui jogada nos braços dela, porque ninguém mais queria me criar, mas não era verdade, não é verdade, eu sei. Bom, meu pai, me registrou quando eu tinha 8 anos, ele não me conhece direito, eu não o conheço direito, mas eu o amo, mais do que a todos. Minha mãe, não falo nada, ela não é tão capaz de se cuidar sozinha, imagina se me criasse, não, não imagine. 
 Estou cansada dessa coisa toda, de briga familia, de ninguém aqui gostar de mim, do fato de que todo mundo me quer longe dessa casa e de preferência morrendo pelos cantos das ruas, tou cansada de tudo isso e já não suporto, quero ficar longe disso tudo, sei que vou sentir falta deles, mas tudo tem limite, senão vira palhaçada. 
 Cansei de mim. 

31 de mai. de 2010





 Lembro de bocas, toques, olhares, lembro muito bem como ria, falava e até ficava de birra, lembro de um tempo que não volta mais. Lembro daquele tempo em que tudo era inocente, que havia tempo para sonhar, você me fazia sonhar, uma coisa que poucos, aliás, quase ninguém conseguiu. Você de uma certa forma mudou a minha vida, só eu não me permiti ser feliz totalmente. Acho que sim, a grande culpa foi minha, mas houve uma pouca porcentagem de culpa sua no meio, me sentia só, mesmo com você por perto, parecia estar longe, acho que sempre tive medo do que pensava, porque na verdade eu não fazia idéia do que se passava pela tua cabeça e era isso que mais me assustava, esse teu mistério, essa tua mania de ser assim, quieta quando quer. Lembro de quantas vezes a gente já voltou, e já terminou também, lembro que você sempre estava alí quando o meu namoro acabava com outra pessoa, você sempre estava perto, precisando de mim e eu mais que nunca de você. Você costumava me fazer sorrir, ainda costuma fazer isso. 
 Eu te devo tanto, te devo muito mesmo. Aprendi quase tudo com você, aprendi a ser uma pessoa melhor, mesmo errando e ainda erro, mas eu tou aprendendo, eu juro. Eu não sei como te explicar, por isso nunca tentei, como você é insubstituível pra mim. Acho que enlouqueceria se você deixasse de me amar, de me querer, fosse tentar ser feliz com outra pessoa, isso parece meio que egoísta da minha parte, eu sei, mas seria impossível te ver longe de mim, mesmo que não esteja tão perto agora.
 Penso tanto em você, como está, o que está fazendo, com quem está conversando, com quem está trocando olhares, como vai a faculdade, como anda sua família, se ainda pensa em mim, se está com sono, com sede, com fome, se está bebendo, tantas coisas. Eu simplesmente penso em você, não consigo esquecer, nem faço esforço pra lembrar, quando vejo já tou pensando e às vezes fico meio ansiosa pra poder falar com você, saber das coisas, queria ter você mais vezes perto de mim.
 Tenho que dizer, adoro tudo em você, adoro mesmo, adoro tudo que te representa, adoro tudo que você representa na minha vida. Amo mais que tudo o jeito que sabe me amar, o jeito que me completa, o jeito que a gente se encaixa e como faz parecer que eu nasci só pra você, que você me pediu e recebeu. Eu te amo.

26 de mai. de 2010













Não sei, peguei meu caderno, vasculhei umas canetas, nada veio na mente, não consegui escrever, não sei por qual razão, foi estranho demais pra entender. Eu tinha tudo alí, dentro da minha cabeça, sei que tinha, mas tudo fugiu, todos fugiram, me vi só e só fiquei. Passei tempo sem me comunicar com as pessoas que sempre tinha contato, praticamente todos os dias, foi um choque no começo, depois, foi um alívio. Sinto hoje que posso viver do jeito que estava vivendo, não mudaria nada, aliás, só uma coisa, falaria com a Sarah mais vezes, ela me fez uma falta absurda e até hoje sinto saudades dela, não a vejo tem um tempo e mesmo assim, quando a vejo, não há tempo para tudo entre nós e mesmo que fiquemos caladas uma boa parte, sempre parece que o tempo está tão cheio, não há espaço nos nossos olhos, ficamos ocupadas demais olhando o mar, nos olhando, observando. Sarah, você é realmente importante pra mim.


Percebo as cores, percebo elas e elas me cercam, fazem perguntas, me culpam, eu gosto delas, mas não é o suficiente. Não será do mesmo jeito, nada, tudo, não será, mas hoje eu me acostumo, me acomodo. Todo ser humano é substituível.








volto depois.

20 de abr. de 2010


Posso ouvir o vento passar, assistir à onda bater,
mas o estrago que faz a vida é curta pra ver
Eu pensei que quando eu morrer
vou acordar para o tempo e para o tempo parar:
Um século, um mês, três vidas e mais
um passo pra trás? Por que será? ... Vou pensar.
- Como pode alguém sonhar o que é impossível saber?
- Não te dizer o que eu penso já é pensar em dizer
e isso, eu vi, o vento leva!
- Não sei mais sinto que é como sonhar
que o esforço pra lembrar é a vontade de esquecer...
E isso por que? Diz mais!
Se a gente já não sabe mais
rir um do outro meu bem então
o que resta é chorar
e talvez, se tem que durar,
vem renascido o amor bento de lágrimas.
Um século, três, se as vidas atrás são parte de nós.
E como será? O vento vai dizer lento o que virá,
e se chover demais, a gente vai saber, claro de um trovão,
se alguém depois sorrir em paz. Só de encontrar.

16 de abr. de 2010

Preciso de Alguém

Meu nome é Caio F.

Moro no segundo andar,mas nunca encontrei você na escada

Preciso de alguém, e é tão urgente o que digo. Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. Perdoem a bandeira desfraldada, mas é assim que as coisas são-estão dentro-fora de mim: secas. Tão só nesta hora tardia - eu, patético detrito pós-moderno com resquícios de Werther e farrapos de versos de Jim Morrison, Abaporu heavy-metal -, só sei falar dessas ausências que ressecam as palmas das mãos de carícias não dadas.

Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca para, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como - eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da conha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão. (...)

Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas cairem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã.

(Caio Fernando Abreu - Crônica publicada no “Estadão” Caderno 2 de 29/07/87)

"Sonho com a paz e o bem que ela te faz."

Tudo bem, eu sei que eu sumi, mas eu vou sumir mais um pouco. Não estou conseguindo organizar as idéias, então vai mais um pensamento do Caio:


"Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar."

11 de abr. de 2010

E se realmente gostarem? Se o toque do outro de repente for bom? Bom, a palavra é essa. Se o outro for bom para você. Se te der vontade de viver. Se o cheiro do suor do outro também for bom. Se todos os cheiros do corpo do outro forem bons. O pé, no fim do dia. A boca, de manhã cedo. Bons, normais, comuns. Coisa de gente. Cheiros íntimos, secretos. Ninguém mais saberia deles se não enfiasse o nariz lá dentro, a língua lá dentro, bem dentro, no fundo das carnes, no meio dos cheiros. E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor? Quando você chega no mais íntimo, no tão íntimo, mas tão íntimo que de repente a palavra nojo não tem mais sentido. Você também tem cheiros. As pessoas têm cheiros, é natural. Os animais cheiram uns aos outros. No rabo. O que é que você queria? Rendas brancas imaculadas? Será que amor não começa quando nojo, higiene ou qualquer outra dessas palavrinhas, desculpe, você vai rir, qualquer uma dessas palavrinhas burguesas e cristãs não tiver mais nenhum sentido? Se tudo isso, se tocar no outro, se não só tolerar e aceitar a merda do outro, mas não dar importância a ela ou até gostar, porque de repente você até pode gostar, sem que isso seja necessariamente uma perversão, se tudo isso for o que chamam de amor. Amor no sentido de intimidade, de conhecimento muito, muito fundo. Da pobreza e também da nobreza do corpo do outro. Do teu próprio corpo que é igual, talvez tragicamente igual. O amor só acontece quando uma pessoa aceita que também é bicho. Se amor for a coragem de ser bicho. Se amor for a coragem da própria merda. E depois, um instante mais tarde, isso nem sequer será coragem nenhuma, porque deixou de ter importância. O que vale é ter conhecido o corpo de outra pessoa tão intimamente como você só conhece o seu próprio corpo. Porque então você se ama também. 




é ._.
" Fico tão cansada às vezes, e digo pra mim mesma que está errado, que não é assim, que não é este o tempo, que não é este o lugar, que não é esta a vida. E fumo, e fico horas sem pensar absolutamente nada: (...)
Claro, é preciso julgar a si próprio com o máximo de rigidez, mas não sei se você concorda, as coisas por natureza já são tão duras para mim que não me acho no direito de endurecê-las ainda mais. Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços, você cobre com a boca meus ouvidos entupidos de buzinas, versos interrompidos, escapamentos abertos, tilintar de telefones, máquinas de escrever, ruídos eletrônicos, britadeiras de concreto, e você me beija e você me aperta e você me leva pra Creta, Mikonos, Rodes, Patmos, Delos, e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo bem." 









juntei.

Ah, fumarás demais, beberás em excesso, aborrecerás todos os amigos com tuas histórias desesperadas, noites e noites a fio permanecerás insone, a fantasia desenfreada e o sexo em brasa, dormirás dias adentro, noites afora, faltarás ao trabalho, escreverás cartas que não serão nunca enviadas, consultarás búzios, números, cartas e astros, pensarás em fugas e suicídios em cada minuto de cada novo dia, chorarás desamparado atravessando madrugadas em tua cama vazia, não consegurás sorrir nem caminhar alheio pelas ruas sem descobrires em algum jeito alheio o jeito exato dele, em algum cheiro estranho o cheiro preciso dele (...)

                                                                                           Caio Fernando Abreu . [+1

Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso. A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.
                                                                                          Caio Fernando Abreu.
Saudade, é claro, todo mundo sente
Não pode é ser maior do que a gente é
Tinjo a imensidão com tintas na medida do meu caro, coração.

8 de abr. de 2010

 Eu não quero que você morra, eu sinto isso cada vez mais vivo aqui dentro, mas eu não quero, não seria justo você ir agora, me deixar assim, sem ter me dado todo o carinho que poderia, sem ter me ensinado tudo que poderia, uma coisa que eu acho lindo na Senhora é o fato de sempre ter nos deixado livre, pra aprender quebrando a cara, pra nós conquistarmos as coisas com nossos próprios esforços. Não quero lembrar que um dia você terá que ir e que esse dia se torna cada vez mais próximo ao longo do tempo, você é tudo que eu tenho e eu acho que nunca ninguém vai me amar do jeito que você me ama; sem cobranças, sem disputas, você só me ama e não precisa ficar falando isso toda hora, você pode ser a pessoa mais carinhosa do mundo sem me dar se quer, um abraço.
 Odeio ouvir você dizendo que a hora já está chegando, que sente isso, odeio pressentir que isso é verdade, odeio aquela lágrima que eu insisto em não derrubar na sua frente só pra me fazer de forte e te apoiar, dizer que é só coisa da sua cabeça, sabendo que uma hora isso vai acontecer, isso me machuca tanto e você tem que saber disso, agora, tem que saber que todo o esforço de vida que você teve pra criar seus filhos e netos não foi em vão, saber que eu te admiro, admiro cada pedaço do teu passado, da forma que age, que nos ama, te amo, você tem que saber de tudo isso, mas eu simplismente não consigo te dizer. 
 Eu não aguento mais escrever, então vou parar aqui...






(u)

7 de abr. de 2010


Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.

                                                                                                                    Fernando Pessoa.



Eu Deveria Ter Dito a Você

Depois que o riso passar
E o que sobrou são sombras da verdade que você tentou esconder

E pelos nossos pecados deixados sem reconciliação

A simples verdade é que corações são feitos para falhar

Não importa quanto a gente tente

Se eu não ver você de novo

Eu apenas espero que um dia você compreenda

Tempo transforma um bom amor em adeus

Eu deveria ter dito a você

É tudo que jamais seria

E então encaramos o silêncio de outra memória
E movemos as sombras sobre a cena que uma vez acreditamos

Então, antes de ir

Eu apenas a abandonei para saber

Se eu não ver você de novo
Eu apenas espero que um dia você compreenda

Tempo transforma um bom amor em adeus

Eu deveria ter dito a você

É tudo que jamais seria

Eu não sei por quê

Ou nós aprendemos durante o percurso inteiro

Ou isso é apenas tempo perdido

Ou então algum dia encontraremos o nosso caminho
Se eu não ver você de novo

Eu apenas espero que um dia você compreenda

Tempo transforma um bom amor em adeus

Eu deveria ter dito a você

É tudo que jamais seria.

22 de jun. de 2010

Ei, eu estou revoltada! Sim, estou. Não vou negar que a metade da felicidade que eu construí, essa madrugada, foi embora com toda discussão no msn, mas ainda tenho a outra metade que me sustentará até, quem sabe, o final da semana. É. Eu ia postar alguma coisa feliz hoje, mas não tenho clima agora, não mais, odeio quando tudo some da minha cabeça e as coisas passam a ser só coisas, digamos, inúteis. Fico puta, er. Tá, depois eu escrevo, quando tiver mais calma e a fome não me consumir.

12 de jun. de 2010

Eu amo a loucura, a loucura me persegue, adoro fazer tudo que faço e fazer é inevitável, tudo que eu sou foi o que consegui ser, conquistei, não me peça pra ser diferente, porque quem então eu seria? Meus vícios me completam, eu sou meus vícios e até seja a loucura em sí, se assim me permitir. Eu sou uma porra louca xD












'A gente tem andado em sintonia tão distinta.
Eu quase não te ouço, você não me adivinha.
A gente fala tanto e, no entanto, se complica.
Eu gosto do Arnaldo, você só ouve a Rita.
A gente, não demora, passa a ser melhor que antes.
Eu mudo e você fala, nós dois somos mutantes.
Ando chorando pelos poros pra não dar na cara, pisando em ovos numa corda bamba.
Vou dedicar mais tempo a mim,
assim você será um tanto mais feliz.


Nem tudo está errado;
é só uma maneira bruta de ficar calado.'

11 de jun. de 2010

Somos portas.




 Poderia falar que as pessoas são chaves, são chaves diferentes tentando abrir uma unica porta, a do amor. Mas  o que elas não sabem, foi o que eu percebi, pegando um ônibus indo para o centro da cidade, olhei para a cordinha que dá sinal para descerem, havia uma chave pendurada em cima do cobrador, fiquei me perguntando o que aquela chave abriria, não sei o por que me perguntava tanto sobre aquela chave que nem chamava tanta atenção, mas a minha sim, nunca fui detalhista. De repente veio a incrível idéia de um sujeito assujeitado, a minha idéia. Nós não somos chaves, somos as portas. Talvez as pessoas que já tentaram nos abrir conseguiram abrir a porta da frente, chegaram na sala, mas nunca conseguiram abrir seu quarto, sua cozinha, seu banheiro, sua varanda, nós somos portas e portas raras, cada uma usada de forma pessoal, às vezes desgastada, às vezes trocada, algumas até nem usadas estão, só trancadas. Somos portas, inúteis, feitas de madeira, de ferro, de qualquer uma proteção que nos serve. Somos humanos. Somos seres humanos. Não falo do amor com toda certeza, não porque nunca tenha amado, já amei, sim; mas, falo do amor de uma forma grata, agradeço a cada segundo de amor, 'sem amor eu nada seria'.




'A gente não percebe o amor
Que se perde aos poucos sem virar carinho.
Guardar lá dentro amor não impede,
Que ele empedre mesmo crendo-se infinito.
Tornar o amor real é expulsá-lo de você,
Prá que ele possa ser de alguém
Somos se pudermos ser ainda
Fomos donos do que hoje não há mais.
Houve o que houve é o que escondem em vão,
Os pensamentos que preferem calar,
Se não, irá nos ferir um não -
Mas quem não quer dizer tchau.'

8 de jun. de 2010

Eu respiro tentando
Encher os pulmões de vida
Mas ainda é dificil
Deixar qualquer luz entrar...
Ainda sinto por dentro
Toda dôr dessa ferida
Mas o pior é pensar
Que isso um dia
Vai cicatrizar...
Eu queria manter
Cada corte em carne viva
A minha dôr
Em eterna exposição
E sair nos jornais
E na televisão
Só prá te enlouquecer
Até você me pedir perdão...
Eu já ouvi 50 receitas
Prá te esquecer
Que só me lembram
Que nada vai resolver
Porque tudo
Tudo me traz você
E eu já não tenho
Prá onde correr...
O que me dá raiva
Não é que você fez de errado
Nem seus muitos defeitos
Nem você ter me deixado
Nem seu jeito fútil
De falar da vida alheia
Nem o que eu não vivi
Aprisionado em sua têia...
O que me dá raiva
São as flôres
E os dias de sol
São os seus beijos
E o que eu tinha
Sonhado prá nós...
São seus olhos e mãos
E seu abraço protetor
É o que vai me faltar
O que fazer do meu amor?
Eu já ouvi 50 receitas
Prá te esquecer.






SÓ PORQUE EU GOSTO.

7 de jun. de 2010

Foi só um sorriso e foi por amor
Nenhuma ironia, não foi por mal
Foi quase uma senha pra te tocar
Nem foi um sorriso, foi um sinal
Por trás das palavras, da raiva de tudo
Sorri pra tentar chegar em você
Foi como fugir pra nos proteger
Enquanto eu sorrir ainda posso esquecer
Porque...
Quem vai te abraçar?
Me fala quem vai te socorrer
Quando chover e acabar a luz
Pra quem você vai correr?
E quem vai me levar
Entre as estrelas, quem vai fazer
Toda manhã me cobrir de luz?
Quem, além de você?
Ninguém tem razão, tenta me entender
E a gente é maior que qualquer razão

Foi só um sorriso e foi por amor
Te juro do fundo do coração
Foi como tentar parar esse trem
Com flores no trilho e acenar pra você
Parece absurdo, eu sei, mas tentei
Enquanto eu sorrir ainda posso esquecer
Quem vai te abraçar?
Me fala quem vai te socorrer
Quando chover e acabar a luz
Pra quem você vai correr?
E quem vai me levar
Entre as estrelas, quem vai fazer
Toda manhã me cobrir de luz?
Quem, além de você?
Deixa isso passar, e quando passar
Vou estar aqui te esperando
Pra te receber
E sorrir feliz dessa vez
Que esse amor é tanto.

6 de jun. de 2010

O incrível é essa sensação de nostalgia quando você a sente chegando e ela se exala em você, fica impregnada, ela se torna você e torna você um ... nada. Está bem, vamos combinar que nem tudo nessa vida te leva a nostalgia, mas seja honesto uma vez na vida, você nunca quis voltar atrás? Tipo, se orgulha de tudo, TUDO mesmo? Claro que não. Deixa o orgulho de lado, veja que nem tudo que te cerca é movido pela sua certeza e vontade própria, afinal, tudo acaba até essa sua forma modesta de querer mudar o mundo, não contentado em mudar o SEU mundo, mas quer o mundo todo, talvez, mudado. 






Não é digno.

4 de jun. de 2010

Honestamente, sou um pouco infeliz.

 Eu não suporto mais, não sei quem disse a ela que eu não suporto a minha familia, mas não importa o quanto eu diga que eu gosto, ela não acreditaria, poupei meus esforços. Talvez, com a raiva, no passado eu tenha dito isso sim, com a maior convicção do mundo, mas hoje em dia, não tenho mais certeza, talvez eu tenha me referido a familia paterna e ela não sacou muito bem a minha idéia, sei lá, complicado demais. Mas eles não tem direito nenhum de falar que eu reclamei da unica e pitoresca familia que eu tenho, porque eles já me maltrataram demais. Acham que fazem muito por mim e fazem, outros não fariam nem metade, mas eu preciso de mais, não de coisas materiais, eu preciso ser amada e hoje eu não sinto nem um amor, vindo deles, só do mundo, por isso eu amo os meus amigos, talvez eles sim sejam a minha familia, talvez. Eu sinto que preciso tratá-los bem, mas a minha familia, bem, já é outra história. 
 Uma vez, numa discussão, minha Avó me disse que eu era um estorvo na vida dela, que nem meu pai iria me querer, que eu praticamente fui jogada nos braços dela, porque ninguém mais queria me criar, mas não era verdade, não é verdade, eu sei. Bom, meu pai, me registrou quando eu tinha 8 anos, ele não me conhece direito, eu não o conheço direito, mas eu o amo, mais do que a todos. Minha mãe, não falo nada, ela não é tão capaz de se cuidar sozinha, imagina se me criasse, não, não imagine. 
 Estou cansada dessa coisa toda, de briga familia, de ninguém aqui gostar de mim, do fato de que todo mundo me quer longe dessa casa e de preferência morrendo pelos cantos das ruas, tou cansada de tudo isso e já não suporto, quero ficar longe disso tudo, sei que vou sentir falta deles, mas tudo tem limite, senão vira palhaçada. 
 Cansei de mim. 

31 de mai. de 2010





 Lembro de bocas, toques, olhares, lembro muito bem como ria, falava e até ficava de birra, lembro de um tempo que não volta mais. Lembro daquele tempo em que tudo era inocente, que havia tempo para sonhar, você me fazia sonhar, uma coisa que poucos, aliás, quase ninguém conseguiu. Você de uma certa forma mudou a minha vida, só eu não me permiti ser feliz totalmente. Acho que sim, a grande culpa foi minha, mas houve uma pouca porcentagem de culpa sua no meio, me sentia só, mesmo com você por perto, parecia estar longe, acho que sempre tive medo do que pensava, porque na verdade eu não fazia idéia do que se passava pela tua cabeça e era isso que mais me assustava, esse teu mistério, essa tua mania de ser assim, quieta quando quer. Lembro de quantas vezes a gente já voltou, e já terminou também, lembro que você sempre estava alí quando o meu namoro acabava com outra pessoa, você sempre estava perto, precisando de mim e eu mais que nunca de você. Você costumava me fazer sorrir, ainda costuma fazer isso. 
 Eu te devo tanto, te devo muito mesmo. Aprendi quase tudo com você, aprendi a ser uma pessoa melhor, mesmo errando e ainda erro, mas eu tou aprendendo, eu juro. Eu não sei como te explicar, por isso nunca tentei, como você é insubstituível pra mim. Acho que enlouqueceria se você deixasse de me amar, de me querer, fosse tentar ser feliz com outra pessoa, isso parece meio que egoísta da minha parte, eu sei, mas seria impossível te ver longe de mim, mesmo que não esteja tão perto agora.
 Penso tanto em você, como está, o que está fazendo, com quem está conversando, com quem está trocando olhares, como vai a faculdade, como anda sua família, se ainda pensa em mim, se está com sono, com sede, com fome, se está bebendo, tantas coisas. Eu simplesmente penso em você, não consigo esquecer, nem faço esforço pra lembrar, quando vejo já tou pensando e às vezes fico meio ansiosa pra poder falar com você, saber das coisas, queria ter você mais vezes perto de mim.
 Tenho que dizer, adoro tudo em você, adoro mesmo, adoro tudo que te representa, adoro tudo que você representa na minha vida. Amo mais que tudo o jeito que sabe me amar, o jeito que me completa, o jeito que a gente se encaixa e como faz parecer que eu nasci só pra você, que você me pediu e recebeu. Eu te amo.

26 de mai. de 2010













Não sei, peguei meu caderno, vasculhei umas canetas, nada veio na mente, não consegui escrever, não sei por qual razão, foi estranho demais pra entender. Eu tinha tudo alí, dentro da minha cabeça, sei que tinha, mas tudo fugiu, todos fugiram, me vi só e só fiquei. Passei tempo sem me comunicar com as pessoas que sempre tinha contato, praticamente todos os dias, foi um choque no começo, depois, foi um alívio. Sinto hoje que posso viver do jeito que estava vivendo, não mudaria nada, aliás, só uma coisa, falaria com a Sarah mais vezes, ela me fez uma falta absurda e até hoje sinto saudades dela, não a vejo tem um tempo e mesmo assim, quando a vejo, não há tempo para tudo entre nós e mesmo que fiquemos caladas uma boa parte, sempre parece que o tempo está tão cheio, não há espaço nos nossos olhos, ficamos ocupadas demais olhando o mar, nos olhando, observando. Sarah, você é realmente importante pra mim.


Percebo as cores, percebo elas e elas me cercam, fazem perguntas, me culpam, eu gosto delas, mas não é o suficiente. Não será do mesmo jeito, nada, tudo, não será, mas hoje eu me acostumo, me acomodo. Todo ser humano é substituível.








volto depois.

20 de abr. de 2010


Posso ouvir o vento passar, assistir à onda bater,
mas o estrago que faz a vida é curta pra ver
Eu pensei que quando eu morrer
vou acordar para o tempo e para o tempo parar:
Um século, um mês, três vidas e mais
um passo pra trás? Por que será? ... Vou pensar.
- Como pode alguém sonhar o que é impossível saber?
- Não te dizer o que eu penso já é pensar em dizer
e isso, eu vi, o vento leva!
- Não sei mais sinto que é como sonhar
que o esforço pra lembrar é a vontade de esquecer...
E isso por que? Diz mais!
Se a gente já não sabe mais
rir um do outro meu bem então
o que resta é chorar
e talvez, se tem que durar,
vem renascido o amor bento de lágrimas.
Um século, três, se as vidas atrás são parte de nós.
E como será? O vento vai dizer lento o que virá,
e se chover demais, a gente vai saber, claro de um trovão,
se alguém depois sorrir em paz. Só de encontrar.

16 de abr. de 2010

Preciso de Alguém

Meu nome é Caio F.

Moro no segundo andar,mas nunca encontrei você na escada

Preciso de alguém, e é tão urgente o que digo. Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. Perdoem a bandeira desfraldada, mas é assim que as coisas são-estão dentro-fora de mim: secas. Tão só nesta hora tardia - eu, patético detrito pós-moderno com resquícios de Werther e farrapos de versos de Jim Morrison, Abaporu heavy-metal -, só sei falar dessas ausências que ressecam as palmas das mãos de carícias não dadas.

Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca para, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como - eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da conha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão. (...)

Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas cairem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã.

(Caio Fernando Abreu - Crônica publicada no “Estadão” Caderno 2 de 29/07/87)

"Sonho com a paz e o bem que ela te faz."

Tudo bem, eu sei que eu sumi, mas eu vou sumir mais um pouco. Não estou conseguindo organizar as idéias, então vai mais um pensamento do Caio:


"Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar."

11 de abr. de 2010

E se realmente gostarem? Se o toque do outro de repente for bom? Bom, a palavra é essa. Se o outro for bom para você. Se te der vontade de viver. Se o cheiro do suor do outro também for bom. Se todos os cheiros do corpo do outro forem bons. O pé, no fim do dia. A boca, de manhã cedo. Bons, normais, comuns. Coisa de gente. Cheiros íntimos, secretos. Ninguém mais saberia deles se não enfiasse o nariz lá dentro, a língua lá dentro, bem dentro, no fundo das carnes, no meio dos cheiros. E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor? Quando você chega no mais íntimo, no tão íntimo, mas tão íntimo que de repente a palavra nojo não tem mais sentido. Você também tem cheiros. As pessoas têm cheiros, é natural. Os animais cheiram uns aos outros. No rabo. O que é que você queria? Rendas brancas imaculadas? Será que amor não começa quando nojo, higiene ou qualquer outra dessas palavrinhas, desculpe, você vai rir, qualquer uma dessas palavrinhas burguesas e cristãs não tiver mais nenhum sentido? Se tudo isso, se tocar no outro, se não só tolerar e aceitar a merda do outro, mas não dar importância a ela ou até gostar, porque de repente você até pode gostar, sem que isso seja necessariamente uma perversão, se tudo isso for o que chamam de amor. Amor no sentido de intimidade, de conhecimento muito, muito fundo. Da pobreza e também da nobreza do corpo do outro. Do teu próprio corpo que é igual, talvez tragicamente igual. O amor só acontece quando uma pessoa aceita que também é bicho. Se amor for a coragem de ser bicho. Se amor for a coragem da própria merda. E depois, um instante mais tarde, isso nem sequer será coragem nenhuma, porque deixou de ter importância. O que vale é ter conhecido o corpo de outra pessoa tão intimamente como você só conhece o seu próprio corpo. Porque então você se ama também. 




é ._.
" Fico tão cansada às vezes, e digo pra mim mesma que está errado, que não é assim, que não é este o tempo, que não é este o lugar, que não é esta a vida. E fumo, e fico horas sem pensar absolutamente nada: (...)
Claro, é preciso julgar a si próprio com o máximo de rigidez, mas não sei se você concorda, as coisas por natureza já são tão duras para mim que não me acho no direito de endurecê-las ainda mais. Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços, você cobre com a boca meus ouvidos entupidos de buzinas, versos interrompidos, escapamentos abertos, tilintar de telefones, máquinas de escrever, ruídos eletrônicos, britadeiras de concreto, e você me beija e você me aperta e você me leva pra Creta, Mikonos, Rodes, Patmos, Delos, e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo bem." 









juntei.

Ah, fumarás demais, beberás em excesso, aborrecerás todos os amigos com tuas histórias desesperadas, noites e noites a fio permanecerás insone, a fantasia desenfreada e o sexo em brasa, dormirás dias adentro, noites afora, faltarás ao trabalho, escreverás cartas que não serão nunca enviadas, consultarás búzios, números, cartas e astros, pensarás em fugas e suicídios em cada minuto de cada novo dia, chorarás desamparado atravessando madrugadas em tua cama vazia, não consegurás sorrir nem caminhar alheio pelas ruas sem descobrires em algum jeito alheio o jeito exato dele, em algum cheiro estranho o cheiro preciso dele (...)

                                                                                           Caio Fernando Abreu . [+1

Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso. A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.
                                                                                          Caio Fernando Abreu.
Saudade, é claro, todo mundo sente
Não pode é ser maior do que a gente é
Tinjo a imensidão com tintas na medida do meu caro, coração.

8 de abr. de 2010

 Eu não quero que você morra, eu sinto isso cada vez mais vivo aqui dentro, mas eu não quero, não seria justo você ir agora, me deixar assim, sem ter me dado todo o carinho que poderia, sem ter me ensinado tudo que poderia, uma coisa que eu acho lindo na Senhora é o fato de sempre ter nos deixado livre, pra aprender quebrando a cara, pra nós conquistarmos as coisas com nossos próprios esforços. Não quero lembrar que um dia você terá que ir e que esse dia se torna cada vez mais próximo ao longo do tempo, você é tudo que eu tenho e eu acho que nunca ninguém vai me amar do jeito que você me ama; sem cobranças, sem disputas, você só me ama e não precisa ficar falando isso toda hora, você pode ser a pessoa mais carinhosa do mundo sem me dar se quer, um abraço.
 Odeio ouvir você dizendo que a hora já está chegando, que sente isso, odeio pressentir que isso é verdade, odeio aquela lágrima que eu insisto em não derrubar na sua frente só pra me fazer de forte e te apoiar, dizer que é só coisa da sua cabeça, sabendo que uma hora isso vai acontecer, isso me machuca tanto e você tem que saber disso, agora, tem que saber que todo o esforço de vida que você teve pra criar seus filhos e netos não foi em vão, saber que eu te admiro, admiro cada pedaço do teu passado, da forma que age, que nos ama, te amo, você tem que saber de tudo isso, mas eu simplismente não consigo te dizer. 
 Eu não aguento mais escrever, então vou parar aqui...






(u)

7 de abr. de 2010


Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.

                                                                                                                    Fernando Pessoa.



Eu Deveria Ter Dito a Você

Depois que o riso passar
E o que sobrou são sombras da verdade que você tentou esconder

E pelos nossos pecados deixados sem reconciliação

A simples verdade é que corações são feitos para falhar

Não importa quanto a gente tente

Se eu não ver você de novo

Eu apenas espero que um dia você compreenda

Tempo transforma um bom amor em adeus

Eu deveria ter dito a você

É tudo que jamais seria

E então encaramos o silêncio de outra memória
E movemos as sombras sobre a cena que uma vez acreditamos

Então, antes de ir

Eu apenas a abandonei para saber

Se eu não ver você de novo
Eu apenas espero que um dia você compreenda

Tempo transforma um bom amor em adeus

Eu deveria ter dito a você

É tudo que jamais seria

Eu não sei por quê

Ou nós aprendemos durante o percurso inteiro

Ou isso é apenas tempo perdido

Ou então algum dia encontraremos o nosso caminho
Se eu não ver você de novo

Eu apenas espero que um dia você compreenda

Tempo transforma um bom amor em adeus

Eu deveria ter dito a você

É tudo que jamais seria.