A traição que guardo entre os dedos da mão
Me leva, me guia, me deixa na estrada
dos passos passados por mim
A traição e no fim do caminho perdão
Uma curva escondida, entrada e saída
Vontade perdida de amar
Você surgiu, o céu caiu
Sem estrelas, sem Deus
Seus olhos fecharam nos meus
A traição nas batidas do meu coração
Me leva, me guia assim como um rio
Que segue meu destino sem mim
Você surgiu, o céu caiu
Sem estrelas, sem Deus
Meus olhos fecharam nos seus
Sempre haverá uma nova paixão
Somos tudo que vamos perder
Amores demais que vem, que vão
Tantas canções pra esquecer...
Você surgiu, o céu caiu
Sem estrelas, sem Deus
Seus olhos fecharam nos meus.
7 de fev. de 2010
A traição que guardo entre os dedos da mão
Me leva, me guia, me deixa na estrada
dos passos passados por mim
A traição e no fim do caminho perdão
Uma curva escondida, entrada e saída
Vontade perdida de amar
Você surgiu, o céu caiu
Sem estrelas, sem Deus
Seus olhos fecharam nos meus
A traição nas batidas do meu coração
Me leva, me guia assim como um rio
Que segue meu destino sem mim
Você surgiu, o céu caiu
Sem estrelas, sem Deus
Meus olhos fecharam nos seus
Sempre haverá uma nova paixão
Somos tudo que vamos perder
Amores demais que vem, que vão
Tantas canções pra esquecer...
Você surgiu, o céu caiu
Sem estrelas, sem Deus
Seus olhos fecharam nos meus.
Hoje em dia não me importo com o que fiz no meu passado
Quero amigos, sorte e muita gente boa do meu lado
E não rebato se disserem por aí que eu tô errado
Porque quem se debate está sozinho ou afogado
Eu, que não fico no meio, não começo e nem acabo
Eu sou filho do amor, não de Deus, nem do diabo
Na ciranda das canções eu me ponho a revezar
Rodando entre as ondas que me puxam em alto-mar
Hoje sei bem que sou eu que giro a minha vida circular
Essa roda, eu que invento e faço tudo nela se encaixar.
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Mas não me diga isso
Hoje a tristeza não é passageira
Hoje fiquei com febre a tarde inteira
E quando chegar a noite cada estrela parecerá uma lágrima.
Queria ser como os outros
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza das coisas com humor
Mas não me diga isso
É só hoje e isso passa
Só me deixe aqui quieto
Isso passa
Amanhã é um outro dia, não é?
Eu nem sei porque me sinto assim
Vem de repente um anjo triste perto de mim
E essa febre que não passa
E meu sorriso sem graça
Não me dê atenção
Mas obrigado por pensar em mim
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Eu me sinto tão sozinho
Quando tudo está perdido
Não quero mais ser quem eu sou
Mas não me diga isso, não me dê atenção
e obrigado por pensar em mim
Não me diga isso, não me dê atenção
e obrigado por pensar em mim.
6 de fev. de 2010
4 de fev. de 2010
3 de fev. de 2010
formspring.me
ceteza -qqKOSAKOAKOSKSOSAKOSKOSAK ._. preciso sair dessa vida de drogadita :x( coca ta ) D:
HUSDHFUIDSHAUIHFUIASDHFUIADSHF eu te digo o mesmo, comofaz
formspring.me
eu amo coca cola ( sou viciada ) -q e vivo rindo. Faz sentido ? OOO:KSAOKOASKASOKSAKOASKO -qqq
sei lá, credo, deve fazer hein
HSDUFHSDAUIHFUISDAHFAUISDHFUIASDHFUSDH
formspring.me
Se a ciência consegue desvendar até os mistérios do DNA, porque ninguém descobriu ainda a fórmula da Coca-Cola???
Porque tem maconha nela HISUDFHSADIUHFUIDSAH todo mundo que bebe coca fica rindo sem motivo depois. HSUDIFHUISDAHFUHSDIFUIADSHHFSD
formspring.me
Se vc fizer um churrasco, vc deixa eu entrar com a linguiça ?
credo HUISDHFUIASDHFUIDHASUFUIASDHFUIASDHF deixo xD
formspring.me
Passa tempo ou bono? *.* // Matheus
HUISDHSAUIHDASUIHDASIH
Passatempo de leite, tabacudo.
formspring.me
Vc prefere café expreço o no cuador é mais forte ?
no cu a dor é mais forte, com certeza HIUSHFUIDSFHUISDHIFHIDUSAHFUIHADSIUFUDSHAUHFSDHAUFSD
formspring.me
se tu fosse chamada pra ficar de vouyer em uma orgia, quem vc iria querer ver nessa orgia? vale tudo viu amr?
porra ._. fudeu
é, acho que quem eu chamei pra festa (6 JIOSDHFOIDHAIOFHASDOIHOIFSHDIOHFIOADSHIOFHASD
formspring.me
vc fikaria com o richard msm ele sendo bi? kkkkkkkk naum é o richard q está perguntando naum viu...kkkkkkk
HUISDHFUISDAHFUIAHDSUIFHIDASHFADSIHFDSAUIHFUDIHFUIDAHSFIUHDASUHFUIADSHUFHUADSHFHDSIHFAUIDHASUIFHDSIUHFUIASHDUFIHASDUIFHSD ._.
ok menino que não é o Richard, ficaria que eu acho ele lindo, cheiroso e simpatico *-* -s
formspring.me
não sei se já perguntaram isso, mas por que você se rendeu à modinha formspring? HAISHIOASHIOHOAI Bia *-* (L) q
HIUSDHFUDISAUHFIUSDAHHUSIDHFUSAUHFIADSHFSUIDH
quis ter um motivo pra ligar o pc, fora o de falar com você.
Sarah ♥
formspring.me
kkkkkkkkkkkkkkk boa resposta ...mas vc fugiu da pergunta... minha opnião
tudo bem, se eu já aceitei jesus né?
bom, eu fui evangélica na minha infância e tive muitos anos a cabeça voltada para Deus e a teoria dos Homens de como ele queria que os humanos se comportassem ou não. Aceitei jesus desde o momento que nasci, porque ele me quis também. Tenho todo o respeito por ele, mas não sigo os mandamentos que o homem escreveu, às vezes é preciso coragem pra seguir um caminho fechado por vendas e mentiras como os da igreja. Minha mente é maior que isso.
formspring.me
minha tia ta perguntando se vc ja aceitou jesus?? e em relação disso o q vc axa d aceitar jesus??? kkk isso ela perguntando?? responda!! kkkk
SDHFUIHSDAUIFHASDUIFHUDSA anh ...diga a ela que se quiser que eu responda faça um formspring também.
1 de fev. de 2010
30 de jan. de 2010
28 de jan. de 2010
26 de jan. de 2010
25 de jan. de 2010
Andei lendo de mais, acho que troquei algumas velhas opiniões. Pecebendo poucas coisas diferentes e a felicidade? Bem, a felicidade está comigo, mas meio que acanhada. As pessoas não entendem o que a palavra “LIBERDADE” significa, as pessoas não querem entender. Livre? Livre pra onde? Livre pra quem? A liberdade é uma ilusão de ótica meu bem, a liberdade tem grades, prende a sua cabeça só para aquela visão, as coisas tem dimensões sim, as coisas tem um fim sim, mas só se você quiser, entendeu? O crontole está com você e eu sei que isso é desconfortável, porque você acha que sozinho não consegue, mas isso só depende unicamente de você. Os sentimentos e sorrisos afundam no mar porque você não mergulhou pra pegar, se ninguém está com a culpa, ninguém aqui tem o direito de estar com a razão.
Meus textos tristes são inspirados no sorriso de alguém que partiu, partiu sim, eu não, fiquei no mesmo lugar, eu não. Sei que as coisas são bem mais tristes assim, mas se não fosse, não sentiria. A covardia de lutar pelos sentimentos foi jogada pros carnivoros, não fomos capazes, a culpa não é sua, a razão nunca foi minha e essa história não termina aqui.
24 de jan. de 2010
23 de jan. de 2010
19 de jan. de 2010
17 de jan. de 2010
16 de jan. de 2010
15 de jan. de 2010
Acordei, quase sem motivos pra fazer meros esforços, mas acordei. Levantei, quase sem chance nenhuma do dia ser bom, mas levantei. Vi o céu, quase parecia me abençoar e fiquei vendo durante minutos, parada, esperando ele responder as perguntas que eu fazia inconsciente. Me arrumei, era dia de médico e eu mal me lembrava, mal me lembrava que eu ainda tinha razões de ir ao médico, tão suja, mente suja, peguei o transporte e fui. Reclamei, pois havia dor demais, chorei, pois havia esperança de menos. Andei, andei muito pelas ruas do centro, aquelas pessoas cheias de pressa não sabem que a vida passa rápido não, a vida passa devagar, tão devagar que chega a me dar sono, mas eles tinham que apressar tudo, tinham que destruir a paz de muitos, tinham que existir. Comprei, fui comprando coisas que nem mesma sei se vou usar, se vão me servir, se vão me escravizar. Voltei, quase não querendo voltar, o inferno se repete dentro de quatro paredes, essas quatro que chamam por aí de lar. Escrevi, nem sei porque escrevi, escrevi tentando dizer alguma coisa e de tantas palavras que escrevi, nada tenho para dar, para que vocês aprendam algo. Eu hoje sou só, só sou hoje, eu.
13 de jan. de 2010
12 de jan. de 2010
10 de jan. de 2010
9 de jan. de 2010
8 de jan. de 2010
7 de jan. de 2010
4 de jan. de 2010
3 de jan. de 2010
1 de jan. de 2010
30 de dez. de 2009
Não sei, quando tudo fica assim entre a gente eu sinceramente não sei, a distância é tão doce, doce que pode até matar. Perdão. As cores já desbotaram faz é tempo, alegrias e tristezas se misturam, a certeza do hoje não existe, não temos mais lembranças de nossas horas acumuladas de gargalhadas, aquelas que ecoavam pelo ar formando não apenas corações, formando novos gestos e carinhos que nem eu e nem você entendíamos. Eu me arrependo tanto do que eu fiz e deixei de fazer. Perdão 2. Nem que eu viva mil anos, nem assim isso vai passar, mesmo com cores desbotadas, deformando todos aqueles nossos corações e carinhos lá no céu, mesmo com tudo isso, eu vou te amar pro resto da vida, eu sei, é errado afirmar isso, mas quero que fique registrado pra poderem me cobrar se um dia o preto e branco levar minha memória.
29 de dez. de 2009
Foi buscando acertar que às vezes eu errei
Mas quem pode acusar sem tentar compreender
Quando saio sem regar violetas que plantei
A sede que causei me afogará
Sem pressa sei que posso alcançar
Digam o que quiserem só uma coisa importa
Verdadeiro é meu amor o sentimento foi real
Quando eu te entreguei tudo aquilo que há em mim
Pode até não parecer
Se o mal que há em mim faz doer o seu coração
Minha triste imperfeição
Será que conseguirei a bondade que sonhei?
Estou sempre a tentar remover as pedras
Se desvio o olhar da mão em minha direção
Fecho os olhos para mim e para você
Não canso, não desisto de lutar
Ainda se tropeço só uma coisa importa
Verdadeiro é meu amor.
28 de dez. de 2009
Às vezes parecia que de tanto acreditar em tudo que achávamos tão certo, teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais, faríamos floresta do deserto, e diamantes de pedaços de vidro. Mas percebo agora que o teu sorriso vem diferente, quase parecendo te ferir. Não queria te ver assim. Quero a tua força como era antes, o que tens é só teu e de nada vale fugir. E não sentir mais nada. Às vezes parecia que era só improvisar e o mundo então seria um livro aberto. Até chegar o dia em que tentamos ter demais, vendendo fácil o que não tinha preço. Eu sei é tudo sem sentido, quero ter alguém com quem conversar, alguém que depois não use o que eu disse contra mim. Nada mais vai me ferir, é que eu já me acostumei com a estrada errada que eu segui, e com a minha própria lei. Tenho o que ficou e tenho sorte até demais. Como sei que tens também.
24 de dez. de 2009
23 de dez. de 2009
20 de dez. de 2009
18 de dez. de 2009
It's a little too late for you to come back
Say it's just a mistake
Think I'd forgive you like that
If you thought I would wait for you
You thought wrong...
But you're just a boy
You don't understand
How it feels to love a girl someday
You wish you were a, better man
You don't listen to her
You don't care how it hurts
Until you lose the one you wanted
Cause you're taking her for granted
And everything you had got destroyed
But you're just a boy.
16 de dez. de 2009
15 de dez. de 2009
13 de dez. de 2009
8 de dez. de 2009
7 de dez. de 2009
Quatro leques de pestanas saltadas que evidenciam os castanhos globos oculares. Atentos. Receosos de quê? Em pequenos movimentos circulares, como que lambendo cada pedaço do que alcançam as vistas da vista de si. Concentrando-se no meio dos fios alinhados que se deitam acima dos leques, abaixo da parede clara e lisa – que, em insatisfações ou desentendimentos, se converte em reajuste de músculos: numa testa enrugada. Que ali, ainda lisa, já estão guardadas as promessas das marcas que a vida trata de dar. Demorar-se em pontos fixos é permitir-se enxergar os primeiros sinais, riscos leves que nem o maior riso seria capaz de anulá-los.
No centro da face aponta delicado e róseo um nariz, nem fino, nem largo. Pedaço de cartilagem bem articulado entre a pele clara das maçãs recém-despertas de uma noite insone. Gripe que interrompe o processo silencioso, invertendo o dedicar-se de Narciso em contorções bruscas e úmidas dos espirros e assoares das narinas. Na esquerda delas, que de cá se vê de lá a mesma, um fio fino e prata a rodear o lado canhoto nasal. Logo abaixo, os lábios. Dois gomos sobrepostos, desenho sutil de contornos em movimento de aconchego. São libertos de segredos, evidenciam não os ter e, por isso, não se trancam secos e imóveis. Antes são dispostos ao desenlace e mostram brancas fileiras de dentes.
Deixando as atenções rumarem ao pé do rosto, desliza-se por um arredondado ósseo que delimita o oval. Formato tal que é interrompido por um par de orelhas simetricamente opostas, harmoniosamente decoradas de argolas prateadas e pequenos brilhos que atravessam a carne de suas extremidades. Ali não dormem os segredos que os lábios desconhecem. Ali as conchas auditivas estão atentas ao eco que o silêncio faz. Parecem distraídas. Mantêm-se dispostas às ondas que lhe invadam sem ruídos, em comunicação que se faça inteira e entendível.
Retorna-se aos olhos, amansados de si, da dedicação concentrada. Reiniciando em reinvenção todo o processo de descobrimento. E levam-se anos, vidas inteiras na busca de sentidos para a imagem refletida. Os mistérios que geramos e que se emancipam de nós antes de descobertos.
A infância que passei no interior de São Paulo. Não tinha pastos, cavalos, nem Manuelzinhos-da-crôa. Sempre uma menina acostumada aos desprazeres da cidade.
“Cuidado com carro!”
“Não fale com nenhum estranho...”
“Olha a hora, já ta atrasada!”
Mas há o interior em suas graças.
A amiga da rua de cima. Descendo com a caixa cheia de bonecas para que brincássemos na varanda. Sabão em pó e mangueira pra escorregar nos azulejos enquanto durasse o verão. Saquinhos compridos de plástico cheios de suco artificial sendo insistentemente checados no congelador para que fossem saboreados ao ponto.
“Quem chegar por último é a mulher do sapo!”
Um dia, voltando da aula – escola de uns quarteirões acima. Foi ainda no portãozão do pátio que chutei uma pedrinha cinzenta. De um dedal era seu tamanho. Fui golpeando delicadamente aquele pedacinho. Fiz subir e descer calçadas, atravessar ruas, rolar pela rampa do lado da igreja – meu deus, como era enorme a rampa que hoje subo em quatro passadas largas! – e fui levando a pedrinha adiante. Fiz conhecer o caminho de saída do mundo. Quis mostrá-la o aconchego.
Na ladeira da rua Santa Fé, já apegada à companhia que eu levava sem resistências, tive medo que rolasse fugidia. Agachei-me e descobri o amor.
Tinha a tal pedrinha, no de dentro de uma lasca, uma tal infinidade de facetas brilhosas que fiquei de cócoras a observar o universo recém-descoberto. Os dedos em pinça colocaram-na no centro de minha palma branca que se fechou enquanto eu corria pra casa querendo banhá-la.
Sabonete, água corrente e o reflexo do meu riso no pescoço da torneira da pia. Escolhi uma caixinha – seus quatro lados de um centimetro – com uma espuminha que deixava o leito mais confortável. Assistia televisão, almoçava, tomava banho, ia dormir... deliciosamente acompanhada. Ao sair para aula dava-lhe beijos carinhosos e andava aflita, já com saudades.
Não sei bem quando e qual a maneira.
Fui esquecendo-me da pedrinha. A caixinha já não me acompanhava pelos cômodos da casa, já não era aberta todos os dias. Nunca mais dei-lhe banhos. Fui esquecendo-me dela. O mundo e a vastidão da imaginação que me ocupava o tempo e as idéias. Fui esquecendo-me. Até que nunca mais a soube. Assim, sem dores, sem despedidas. Sem dar-me conta.
Nunca tive um porquinho-da-índia.
Aquela pedrinha sim é que foi o meu primeiro namorado.
[tornei-me eu pedrinha. tornei-me busca pela tal lasca em mim. uma procura pela fresta que me leve às infinitas facetas brilhantes
(...)
alguns que viram. e também dormi em caixinhas acolchoadas. outros também esqueceram-me. apesar das despedidas e contas
(...)
também eu já fui embora.
Começou numa daquelas manhãs abafadas de Resende, enquanto subia a ladeira do Jardim Brasília II, indo pra casa depois do colégio. Na mochila que me deixava empapada de suor, eu carregava as folhas da longa carta que escrevia para Sara.
Ao virar a esquina, já de costas para o Pico das Agulhas Negras, avistaria o sorriso largo e dócil dela. Sara desceria a rampa da garagem para nos abraçarmos saudosas e emocionadas. Eu falaria dos dias vazios, das saudades de Minas Gerais e da falta dela nos meus dias.
Mas ao chegar ao meu portão: nem Sara, nem cartas na caixinha de correio.
Então eu abria a porta, beijava minha mãe, que estava sempre preparando o almoço, e subia lentamente as escadas que levavam ao meu quarto.
Ao abrir a porta, já acostumada ao silêncio daqueles dias, encontraria Sara sentada em minha cama. O tal sorriso, o loiro dos cabelos e o sotaque manso.
Mas ao fim dos degraus, a porta aberta denunciava o vazio do quarto.
Dias em seqüência, o caminho para casa era o alimento de minha fé. Tecia, cuidadosamente, os detalhes dessa mentira, enganando-me de esperança. Sara nunca cruzou os mais de seiscentos quilômetros de Sete Lagoas até o interior carioca. Fui eu tantas vezes até lá para visitá-la, reencontrar os amigos do teatro, o primeiro menino que namorei e algumas das verdades que construí.
Mas quando em casa, dias inúteis, eu era a dona de meus próprios enganos, criando as mentiras que se diluíam. Tão logo eu dobrasse a esquina, no instante em que alcançava o mais alto da escada.
Sara nunca soube que sua ausência minguava minha fé. E passei a culpar-me pelas frustrações diárias. Já exausta de uma espera solitária, acabei por concluir que minhas mentiras eram responsáveis pela anulação dos acontecimentos: uma vez que eu pensasse, a possibilidade tornava-se vento.
A solução me veio nos entremeios do tempo. Para reencontrar a esperança e em mim a nascente da fé, aprendi então a voar.
A entrega é mesmo livre, assim. Feito estalo em folha seca. Feito um sussurro se alongando pelos tímpanos. Uma vez em terras férteis, ainda que chova ou vente em demasia, ou que por acontecer o contrário, seque o chão até as funduras, uma vez caído o grão, ela nasce. Em silêncio e tortuosa, desenhando seus mistérios. Indo embora sem avisos. Abandonando o ventre remexido e vulnerável. Instaurando nova espera.
6 de dez. de 2009
1 de dez. de 2009
Você tem ódio nos seus olhos
E arrogância em todas palavras
Eu não pretendo julgar você
Eu não me sinto no direito
Eu faço o que eu quero
Mas eu nunca machuquei ninguém
Com tolas palavras
Por que nós não ficamos juntos?
Por que não ficamos juntos?
Não estou invadindo o seu espaço
Apenas reconquistando tudo aquilo que eu perdi
Tudo aquilo que me foi roubado
Mas parece que vou levar muito tempo.
7 de fev. de 2010
A traição que guardo entre os dedos da mão
Me leva, me guia, me deixa na estrada
dos passos passados por mim
A traição e no fim do caminho perdão
Uma curva escondida, entrada e saída
Vontade perdida de amar
Você surgiu, o céu caiu
Sem estrelas, sem Deus
Seus olhos fecharam nos meus
A traição nas batidas do meu coração
Me leva, me guia assim como um rio
Que segue meu destino sem mim
Você surgiu, o céu caiu
Sem estrelas, sem Deus
Meus olhos fecharam nos seus
Sempre haverá uma nova paixão
Somos tudo que vamos perder
Amores demais que vem, que vão
Tantas canções pra esquecer...
Você surgiu, o céu caiu
Sem estrelas, sem Deus
Seus olhos fecharam nos meus.
Hoje em dia não me importo com o que fiz no meu passado
Quero amigos, sorte e muita gente boa do meu lado
E não rebato se disserem por aí que eu tô errado
Porque quem se debate está sozinho ou afogado
Eu, que não fico no meio, não começo e nem acabo
Eu sou filho do amor, não de Deus, nem do diabo
Na ciranda das canções eu me ponho a revezar
Rodando entre as ondas que me puxam em alto-mar
Hoje sei bem que sou eu que giro a minha vida circular
Essa roda, eu que invento e faço tudo nela se encaixar.
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Mas não me diga isso
Hoje a tristeza não é passageira
Hoje fiquei com febre a tarde inteira
E quando chegar a noite cada estrela parecerá uma lágrima.
Queria ser como os outros
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza das coisas com humor
Mas não me diga isso
É só hoje e isso passa
Só me deixe aqui quieto
Isso passa
Amanhã é um outro dia, não é?
Eu nem sei porque me sinto assim
Vem de repente um anjo triste perto de mim
E essa febre que não passa
E meu sorriso sem graça
Não me dê atenção
Mas obrigado por pensar em mim
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Eu me sinto tão sozinho
Quando tudo está perdido
Não quero mais ser quem eu sou
Mas não me diga isso, não me dê atenção
e obrigado por pensar em mim
Não me diga isso, não me dê atenção
e obrigado por pensar em mim.
6 de fev. de 2010
4 de fev. de 2010
3 de fev. de 2010
formspring.me
ceteza -qqKOSAKOAKOSKSOSAKOSKOSAK ._. preciso sair dessa vida de drogadita :x( coca ta ) D:
HUSDHFUIDSHAUIHFUIASDHFUIADSHF eu te digo o mesmo, comofaz
formspring.me
eu amo coca cola ( sou viciada ) -q e vivo rindo. Faz sentido ? OOO:KSAOKOASKASOKSAKOASKO -qqq
sei lá, credo, deve fazer hein
HSDUFHSDAUIHFUISDAHFAUISDHFUIASDHFUSDH
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Se a ciência consegue desvendar até os mistérios do DNA, porque ninguém descobriu ainda a fórmula da Coca-Cola???
Porque tem maconha nela HISUDFHSADIUHFUIDSAH todo mundo que bebe coca fica rindo sem motivo depois. HSUDIFHUISDAHFUHSDIFUIADSHHFSD
formspring.me
Se vc fizer um churrasco, vc deixa eu entrar com a linguiça ?
credo HUISDHFUIASDHFUIDHASUFUIASDHFUIASDHF deixo xD
formspring.me
Passa tempo ou bono? *.* // Matheus
HUISDHSAUIHDASUIHDASIH
Passatempo de leite, tabacudo.
formspring.me
Vc prefere café expreço o no cuador é mais forte ?
no cu a dor é mais forte, com certeza HIUSHFUIDSFHUISDHIFHIDUSAHFUIHADSIUFUDSHAUHFSDHAUFSD
formspring.me
se tu fosse chamada pra ficar de vouyer em uma orgia, quem vc iria querer ver nessa orgia? vale tudo viu amr?
porra ._. fudeu
é, acho que quem eu chamei pra festa (6 JIOSDHFOIDHAIOFHASDOIHOIFSHDIOHFIOADSHIOFHASD
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vc fikaria com o richard msm ele sendo bi? kkkkkkkk naum é o richard q está perguntando naum viu...kkkkkkk
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ok menino que não é o Richard, ficaria que eu acho ele lindo, cheiroso e simpatico *-* -s
formspring.me
não sei se já perguntaram isso, mas por que você se rendeu à modinha formspring? HAISHIOASHIOHOAI Bia *-* (L) q
HIUSDHFUDISAUHFIUSDAHHUSIDHFUSAUHFIADSHFSUIDH
quis ter um motivo pra ligar o pc, fora o de falar com você.
Sarah ♥
formspring.me
kkkkkkkkkkkkkkk boa resposta ...mas vc fugiu da pergunta... minha opnião
tudo bem, se eu já aceitei jesus né?
bom, eu fui evangélica na minha infância e tive muitos anos a cabeça voltada para Deus e a teoria dos Homens de como ele queria que os humanos se comportassem ou não. Aceitei jesus desde o momento que nasci, porque ele me quis também. Tenho todo o respeito por ele, mas não sigo os mandamentos que o homem escreveu, às vezes é preciso coragem pra seguir um caminho fechado por vendas e mentiras como os da igreja. Minha mente é maior que isso.
formspring.me
minha tia ta perguntando se vc ja aceitou jesus?? e em relação disso o q vc axa d aceitar jesus??? kkk isso ela perguntando?? responda!! kkkk
SDHFUIHSDAUIFHASDUIFHUDSA anh ...diga a ela que se quiser que eu responda faça um formspring também.
1 de fev. de 2010
30 de jan. de 2010
28 de jan. de 2010
26 de jan. de 2010
25 de jan. de 2010
Andei lendo de mais, acho que troquei algumas velhas opiniões. Pecebendo poucas coisas diferentes e a felicidade? Bem, a felicidade está comigo, mas meio que acanhada. As pessoas não entendem o que a palavra “LIBERDADE” significa, as pessoas não querem entender. Livre? Livre pra onde? Livre pra quem? A liberdade é uma ilusão de ótica meu bem, a liberdade tem grades, prende a sua cabeça só para aquela visão, as coisas tem dimensões sim, as coisas tem um fim sim, mas só se você quiser, entendeu? O crontole está com você e eu sei que isso é desconfortável, porque você acha que sozinho não consegue, mas isso só depende unicamente de você. Os sentimentos e sorrisos afundam no mar porque você não mergulhou pra pegar, se ninguém está com a culpa, ninguém aqui tem o direito de estar com a razão.
Meus textos tristes são inspirados no sorriso de alguém que partiu, partiu sim, eu não, fiquei no mesmo lugar, eu não. Sei que as coisas são bem mais tristes assim, mas se não fosse, não sentiria. A covardia de lutar pelos sentimentos foi jogada pros carnivoros, não fomos capazes, a culpa não é sua, a razão nunca foi minha e essa história não termina aqui.
23 de jan. de 2010
19 de jan. de 2010
17 de jan. de 2010
16 de jan. de 2010
15 de jan. de 2010
Acordei, quase sem motivos pra fazer meros esforços, mas acordei. Levantei, quase sem chance nenhuma do dia ser bom, mas levantei. Vi o céu, quase parecia me abençoar e fiquei vendo durante minutos, parada, esperando ele responder as perguntas que eu fazia inconsciente. Me arrumei, era dia de médico e eu mal me lembrava, mal me lembrava que eu ainda tinha razões de ir ao médico, tão suja, mente suja, peguei o transporte e fui. Reclamei, pois havia dor demais, chorei, pois havia esperança de menos. Andei, andei muito pelas ruas do centro, aquelas pessoas cheias de pressa não sabem que a vida passa rápido não, a vida passa devagar, tão devagar que chega a me dar sono, mas eles tinham que apressar tudo, tinham que destruir a paz de muitos, tinham que existir. Comprei, fui comprando coisas que nem mesma sei se vou usar, se vão me servir, se vão me escravizar. Voltei, quase não querendo voltar, o inferno se repete dentro de quatro paredes, essas quatro que chamam por aí de lar. Escrevi, nem sei porque escrevi, escrevi tentando dizer alguma coisa e de tantas palavras que escrevi, nada tenho para dar, para que vocês aprendam algo. Eu hoje sou só, só sou hoje, eu.
13 de jan. de 2010
12 de jan. de 2010
8 de jan. de 2010
3 de jan. de 2010
1 de jan. de 2010
30 de dez. de 2009
Não sei, quando tudo fica assim entre a gente eu sinceramente não sei, a distância é tão doce, doce que pode até matar. Perdão. As cores já desbotaram faz é tempo, alegrias e tristezas se misturam, a certeza do hoje não existe, não temos mais lembranças de nossas horas acumuladas de gargalhadas, aquelas que ecoavam pelo ar formando não apenas corações, formando novos gestos e carinhos que nem eu e nem você entendíamos. Eu me arrependo tanto do que eu fiz e deixei de fazer. Perdão 2. Nem que eu viva mil anos, nem assim isso vai passar, mesmo com cores desbotadas, deformando todos aqueles nossos corações e carinhos lá no céu, mesmo com tudo isso, eu vou te amar pro resto da vida, eu sei, é errado afirmar isso, mas quero que fique registrado pra poderem me cobrar se um dia o preto e branco levar minha memória.
29 de dez. de 2009
Foi buscando acertar que às vezes eu errei
Mas quem pode acusar sem tentar compreender
Quando saio sem regar violetas que plantei
A sede que causei me afogará
Sem pressa sei que posso alcançar
Digam o que quiserem só uma coisa importa
Verdadeiro é meu amor o sentimento foi real
Quando eu te entreguei tudo aquilo que há em mim
Pode até não parecer
Se o mal que há em mim faz doer o seu coração
Minha triste imperfeição
Será que conseguirei a bondade que sonhei?
Estou sempre a tentar remover as pedras
Se desvio o olhar da mão em minha direção
Fecho os olhos para mim e para você
Não canso, não desisto de lutar
Ainda se tropeço só uma coisa importa
Verdadeiro é meu amor.
28 de dez. de 2009
Às vezes parecia que de tanto acreditar em tudo que achávamos tão certo, teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais, faríamos floresta do deserto, e diamantes de pedaços de vidro. Mas percebo agora que o teu sorriso vem diferente, quase parecendo te ferir. Não queria te ver assim. Quero a tua força como era antes, o que tens é só teu e de nada vale fugir. E não sentir mais nada. Às vezes parecia que era só improvisar e o mundo então seria um livro aberto. Até chegar o dia em que tentamos ter demais, vendendo fácil o que não tinha preço. Eu sei é tudo sem sentido, quero ter alguém com quem conversar, alguém que depois não use o que eu disse contra mim. Nada mais vai me ferir, é que eu já me acostumei com a estrada errada que eu segui, e com a minha própria lei. Tenho o que ficou e tenho sorte até demais. Como sei que tens também.
24 de dez. de 2009
23 de dez. de 2009
18 de dez. de 2009
It's a little too late for you to come back
Say it's just a mistake
Think I'd forgive you like that
If you thought I would wait for you
You thought wrong...
But you're just a boy
You don't understand
How it feels to love a girl someday
You wish you were a, better man
You don't listen to her
You don't care how it hurts
Until you lose the one you wanted
Cause you're taking her for granted
And everything you had got destroyed
But you're just a boy.
16 de dez. de 2009
15 de dez. de 2009
13 de dez. de 2009
8 de dez. de 2009
7 de dez. de 2009
Quatro leques de pestanas saltadas que evidenciam os castanhos globos oculares. Atentos. Receosos de quê? Em pequenos movimentos circulares, como que lambendo cada pedaço do que alcançam as vistas da vista de si. Concentrando-se no meio dos fios alinhados que se deitam acima dos leques, abaixo da parede clara e lisa – que, em insatisfações ou desentendimentos, se converte em reajuste de músculos: numa testa enrugada. Que ali, ainda lisa, já estão guardadas as promessas das marcas que a vida trata de dar. Demorar-se em pontos fixos é permitir-se enxergar os primeiros sinais, riscos leves que nem o maior riso seria capaz de anulá-los.
No centro da face aponta delicado e róseo um nariz, nem fino, nem largo. Pedaço de cartilagem bem articulado entre a pele clara das maçãs recém-despertas de uma noite insone. Gripe que interrompe o processo silencioso, invertendo o dedicar-se de Narciso em contorções bruscas e úmidas dos espirros e assoares das narinas. Na esquerda delas, que de cá se vê de lá a mesma, um fio fino e prata a rodear o lado canhoto nasal. Logo abaixo, os lábios. Dois gomos sobrepostos, desenho sutil de contornos em movimento de aconchego. São libertos de segredos, evidenciam não os ter e, por isso, não se trancam secos e imóveis. Antes são dispostos ao desenlace e mostram brancas fileiras de dentes.
Deixando as atenções rumarem ao pé do rosto, desliza-se por um arredondado ósseo que delimita o oval. Formato tal que é interrompido por um par de orelhas simetricamente opostas, harmoniosamente decoradas de argolas prateadas e pequenos brilhos que atravessam a carne de suas extremidades. Ali não dormem os segredos que os lábios desconhecem. Ali as conchas auditivas estão atentas ao eco que o silêncio faz. Parecem distraídas. Mantêm-se dispostas às ondas que lhe invadam sem ruídos, em comunicação que se faça inteira e entendível.
Retorna-se aos olhos, amansados de si, da dedicação concentrada. Reiniciando em reinvenção todo o processo de descobrimento. E levam-se anos, vidas inteiras na busca de sentidos para a imagem refletida. Os mistérios que geramos e que se emancipam de nós antes de descobertos.
A infância que passei no interior de São Paulo. Não tinha pastos, cavalos, nem Manuelzinhos-da-crôa. Sempre uma menina acostumada aos desprazeres da cidade.
“Cuidado com carro!”
“Não fale com nenhum estranho...”
“Olha a hora, já ta atrasada!”
Mas há o interior em suas graças.
A amiga da rua de cima. Descendo com a caixa cheia de bonecas para que brincássemos na varanda. Sabão em pó e mangueira pra escorregar nos azulejos enquanto durasse o verão. Saquinhos compridos de plástico cheios de suco artificial sendo insistentemente checados no congelador para que fossem saboreados ao ponto.
“Quem chegar por último é a mulher do sapo!”
Um dia, voltando da aula – escola de uns quarteirões acima. Foi ainda no portãozão do pátio que chutei uma pedrinha cinzenta. De um dedal era seu tamanho. Fui golpeando delicadamente aquele pedacinho. Fiz subir e descer calçadas, atravessar ruas, rolar pela rampa do lado da igreja – meu deus, como era enorme a rampa que hoje subo em quatro passadas largas! – e fui levando a pedrinha adiante. Fiz conhecer o caminho de saída do mundo. Quis mostrá-la o aconchego.
Na ladeira da rua Santa Fé, já apegada à companhia que eu levava sem resistências, tive medo que rolasse fugidia. Agachei-me e descobri o amor.
Tinha a tal pedrinha, no de dentro de uma lasca, uma tal infinidade de facetas brilhosas que fiquei de cócoras a observar o universo recém-descoberto. Os dedos em pinça colocaram-na no centro de minha palma branca que se fechou enquanto eu corria pra casa querendo banhá-la.
Sabonete, água corrente e o reflexo do meu riso no pescoço da torneira da pia. Escolhi uma caixinha – seus quatro lados de um centimetro – com uma espuminha que deixava o leito mais confortável. Assistia televisão, almoçava, tomava banho, ia dormir... deliciosamente acompanhada. Ao sair para aula dava-lhe beijos carinhosos e andava aflita, já com saudades.
Não sei bem quando e qual a maneira.
Fui esquecendo-me da pedrinha. A caixinha já não me acompanhava pelos cômodos da casa, já não era aberta todos os dias. Nunca mais dei-lhe banhos. Fui esquecendo-me dela. O mundo e a vastidão da imaginação que me ocupava o tempo e as idéias. Fui esquecendo-me. Até que nunca mais a soube. Assim, sem dores, sem despedidas. Sem dar-me conta.
Nunca tive um porquinho-da-índia.
Aquela pedrinha sim é que foi o meu primeiro namorado.
[tornei-me eu pedrinha. tornei-me busca pela tal lasca em mim. uma procura pela fresta que me leve às infinitas facetas brilhantes
(...)
alguns que viram. e também dormi em caixinhas acolchoadas. outros também esqueceram-me. apesar das despedidas e contas
(...)
também eu já fui embora.
Começou numa daquelas manhãs abafadas de Resende, enquanto subia a ladeira do Jardim Brasília II, indo pra casa depois do colégio. Na mochila que me deixava empapada de suor, eu carregava as folhas da longa carta que escrevia para Sara.
Ao virar a esquina, já de costas para o Pico das Agulhas Negras, avistaria o sorriso largo e dócil dela. Sara desceria a rampa da garagem para nos abraçarmos saudosas e emocionadas. Eu falaria dos dias vazios, das saudades de Minas Gerais e da falta dela nos meus dias.
Mas ao chegar ao meu portão: nem Sara, nem cartas na caixinha de correio.
Então eu abria a porta, beijava minha mãe, que estava sempre preparando o almoço, e subia lentamente as escadas que levavam ao meu quarto.
Ao abrir a porta, já acostumada ao silêncio daqueles dias, encontraria Sara sentada em minha cama. O tal sorriso, o loiro dos cabelos e o sotaque manso.
Mas ao fim dos degraus, a porta aberta denunciava o vazio do quarto.
Dias em seqüência, o caminho para casa era o alimento de minha fé. Tecia, cuidadosamente, os detalhes dessa mentira, enganando-me de esperança. Sara nunca cruzou os mais de seiscentos quilômetros de Sete Lagoas até o interior carioca. Fui eu tantas vezes até lá para visitá-la, reencontrar os amigos do teatro, o primeiro menino que namorei e algumas das verdades que construí.
Mas quando em casa, dias inúteis, eu era a dona de meus próprios enganos, criando as mentiras que se diluíam. Tão logo eu dobrasse a esquina, no instante em que alcançava o mais alto da escada.
Sara nunca soube que sua ausência minguava minha fé. E passei a culpar-me pelas frustrações diárias. Já exausta de uma espera solitária, acabei por concluir que minhas mentiras eram responsáveis pela anulação dos acontecimentos: uma vez que eu pensasse, a possibilidade tornava-se vento.
A solução me veio nos entremeios do tempo. Para reencontrar a esperança e em mim a nascente da fé, aprendi então a voar.
A entrega é mesmo livre, assim. Feito estalo em folha seca. Feito um sussurro se alongando pelos tímpanos. Uma vez em terras férteis, ainda que chova ou vente em demasia, ou que por acontecer o contrário, seque o chão até as funduras, uma vez caído o grão, ela nasce. Em silêncio e tortuosa, desenhando seus mistérios. Indo embora sem avisos. Abandonando o ventre remexido e vulnerável. Instaurando nova espera.
6 de dez. de 2009
1 de dez. de 2009
Você tem ódio nos seus olhos
E arrogância em todas palavras
Eu não pretendo julgar você
Eu não me sinto no direito
Eu faço o que eu quero
Mas eu nunca machuquei ninguém
Com tolas palavras
Por que nós não ficamos juntos?
Por que não ficamos juntos?
Não estou invadindo o seu espaço
Apenas reconquistando tudo aquilo que eu perdi
Tudo aquilo que me foi roubado
Mas parece que vou levar muito tempo.



